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Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

25.07.2025
Alumni

Dia 25 de julho é historicamente reconhecido como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e, no Brasil, a data soma-se ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder quilombola e símbolo de resistência negra. Mais do que um marco no calendário, a data foi constituída para chamar atenção às ações contra as desigualdades raciais e de gênero, além de ser uma celebração de conquistas e resistências das mulheres negras. 

Uma data de luta e resistência

A data surgiu em 1992, durante o Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, na República Dominicana. Na época, também se deu origem à Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas, com o objetivo de combater as desigualdades raciais e de gênero. Os grupos eram dedicados a reverter o cenário alarmante de violência e desigualdade que atingiam a população negra, a fim de promover debates, discussões e iniciativas para combater tal realidade.  

“O 25 de julho não é contemplativo, é deliberativo”, pontua Andreia Souza, liderança negra, gestora cultural e Alumni RenovaBR. “Durante o mês inteiro, a gente constrói diálogos, cria pontes, fomenta o movimento e a marcha de mulheres negras. É um dia para refletir, sim, mas também para vocalizar nossas necessidades, anseios e avanços no combate ao racismo e ao sexismo”, pontua. 

No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola e símbolo da resistência.“Ter essa referência é primordial. Estamos acostumados a falar de homens combativos, mas ter uma figura como Tereza reforça a importância das mulheres na luta”, acrescenta Andreia.

Foto: Divulgação

Desigualdades persistentes

Segundo dados do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA), que analisou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) entre 2012 e 2023, as mulheres negras representam 27,8% da população brasileira e seguem sendo as mais atingidas pela pobreza e pela desigualdade. Neste intervalo analisado, a proporção de pessoas negras em extrema pobreza subiu de 70,5% para 73,5%. Em termos de renda, as mulheres negras ganham, em média, 60% do rendimento das mulheres brancas e menos de 45% do rendimento dos homens brancos. 

Andreia lembra que, além das barreiras socioeconômicas, há um racismo estrutural que afeta o acesso ao poder. “Uma mulher branca fala que tem formação e isso basta. Uma mulher negra precisa comprovar com certificado. A gente vê mulheres negras em comerciais e novelas, mas nos espaços de decisão das empresas, será que estamos lá?”, questiona.

Para ela, a mudança tem um ponto de partida no letramento e em celebrações de resistência como a deste dia. “Precisamos ter a história contada por todos os lados. Dizem que todas as histórias têm três lados e, normalmente, vemos somente dois. O terceiro lado, da nossa força e resiliência também deve ser demonstrada”, afirma. 

Educação, letramento racial e políticas públicas

Quando questionada sobre quais políticas públicas são fundamentais para reduzir desigualdades, Andreia é enfática: “A gente precisa de políticas públicas que não sejam apenas de empoderamento, mas de educação também. É necessário o letramento racial em conjunto com dados e evidências, para compreender onde essas mulheres estão e como fortalecê-las”, explica. 

Além disso, a Alumni reforça que é importante lembrar da garantia da saúde mental dessas mulheres, que vivem sob a ideia de que devem ser fortes a todo o momento. 

Ela menciona que o Brasil possui iniciativas relevantes, como o ODS-18, adotada por movimentos sociais para reforçar a promoção da igualdade racial e o combate ao racismo estrutural. Essa iniciativa busca ampliar políticas públicas e oportunidades para a população negra em áreas como educação, mercado de trabalho e participação política. “Temos cotas, mas precisamos que mulheres negras não apenas sejam candidatas, mas também sejam eleitas”, reforça.

Para dar conta de transformar a realidade de desigualdade racial e de gênero, Andreia enfatiza que a formação política é vital. “Não basta ter vontade, é preciso ter capacidade  e capacidade se constrói. Eu acredito que todos deveriam ter essa formação para entender direitos e deveres, para não serem levados por falsas promessas. Política não é um talento nato, é algo que se aprende”, finaliza. 

A trajetória e as reflexões de Andreia reforçam que o 25 de julho não é apenas uma data simbólica, mas um chamado à ação. Combater as desigualdades raciais e de gênero exige políticas públicas eficazes, letramento racial, garantia de saúde mental e oportunidades reais para que mulheres negras ocupem espaços de decisão. É um compromisso coletivo, que passa pela educação, pela formação política e pela construção de uma sociedade onde a representatividade não seja exceção, mas regra.

“Seguimos avançando, mas precisamos garantir que esses avanços não sejam apenas simbólicos. Nossa luta é por oportunidades reais, por letramento, por espaços de poder que sejam acessíveis a todas as mulheres negras”, conclui Andreia.

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