Em um contexto em que, muitas vezes, a política se distancia da vida real, a vereadora e liderança RenovaBR, Marina Bragante, tenta apontar na direção oposta. Mãe de trigêmeos e voz de centro na Câmara Municipal de São Paulo, ela utiliza da escuta e contato com a população para propor mudanças.
Sua entrada na política foi motivada pela vontade de contribuir com a redução das desigualdades. Com o tempo, essa motivação se desdobrou em uma agenda mais ampla, que hoje se organiza em torno de pautas sobre o cuidado, a sustentabilidade e a segurança pública, com um olhar atento para mulheres, mães e crianças.
Junto de outras parlamentares, leva o tema da primeira infância para o debate. “A criança não encerra os desafios da vida aos seis anos de idade. E o poder público deve continuar encontrando soluções para elas, para os adolescentes e para quem cuida deles”, afirma. Para ela, pensar políticas públicas exige continuidade e responsabilidade com todas as etapas da vida. “O cuidado é aquilo que nos faz humano e que pode fazer a diferença na cidade.”
Cuidado, infância e escuta
Marina se define como uma vereadora que está mais ao centro, mas não neutra, sem se alinhar automaticamente à base do governo do estado ou à oposição. Seu posicionamento está alinhado ao diálogo como ferramenta motora de sua atuação.
“O diálogo prioritário para mim é com a população. Minha vida espelha pouco do que acontece na cidade, então tenho que estar constantemente conversando com as pessoas”, explica.
Mesmo reconhecendo frustrações – como o fato de não ter aprovado projetos de lei no primeiro ano de mandato – ela enxerga o valor no espaço que ocupa. “Exatamente por ser uma vereadora de centro, que conversa com o Executivo e com a oposição, considero que assumi um espaço importante na Câmara. Negociando projetos que às vezes iam contra a minha visão de cidade, mas ponderando onde a legislação poderia melhorar”, afirma.
Para Marina, o Legislativo exige uma mudança de lente. Diferente do Executivo, onde já atuou como secretária por duas vezes, o impacto é mais indireto e passa, necessariamente, pela construção coletiva.
O diálogo tem sido ponte em pautas sensíveis. No enfrentamento ao feminicídio, por exemplo, Marina relata avanços importantes dentro da Câmara. “Consegui ver muitos colegas homens se aproximando da pauta e tentando entender o papel deles nesse assunto. É um espaço de construção muito relevante no Legislativo”, explica.
Políticas que olham para o presente e o futuro
Segundo ela, no seu mandato, há uma convergência entre cuidado e futuro. Na agenda climática, a vereadora é autora de iniciativas que buscam preparar a cidade para os impactos já em curso.
Um exemplo é o PL 344/2025, que propõe substituir vagas de estacionamento por áreas verdes, contribuindo para a redução das ilhas de calor.
Além disso, está em curso o PL ECOA – Escolas com Adaptação Climática – desenvolvido junto à bancada do clima e que dá conta de atender a assistência e preparo para que as escolas estejam aptas a lidar com eventos extremos ligados à crise climática, protegendo o desenvolvimento das crianças.
Essa agenda também se conecta com a mobilidade e a dignidade na infância. O projeto do bilhete único infantil, voltado a crianças de 0 a 6 anos, busca resolver uma realidade comum nas catracas do transporte público: garantir acesso seguro e digno desde os primeiros anos de vida.
Mais mulheres, novas formas de fazer política
Sua atuação também reforça a necessidade da presença feminina nos espaços de decisão, sejam eles políticos ou não. Para ela, não se trata apenas de representatividade, mas de transformação concreta na política.
“As pautas que chegam até nós, com muita frequência, estão conectadas com propósito de vida. Isso faz com que enxerguemos a política de outra maneira, para além da disputa de poder, mas compreendendo que o poder serve para a transformação social que a gente quer para a cidade”, comenta.
Em um ambiente que pode ser, por vezes, hostil, contar com mais mulheres faz a diferença. “Ter aquele olhar que te entende muda tudo”, diz. Além disso, ela reforça que contribui para identificar e enfrentar a violência política de gênero, que muitas vezes ainda é invisibilizada.
Nesse sentido, a criação da Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal de São Paulo, fruto de uma luta antiga das vereadoras, marca um avanço importante. Como Procuradora Adjunta, Marina atua na construção de protocolos contra assédio, campanhas de enfrentamento à violência política de gênero e parcerias com a rede de proteção municipal.
Foto: Bob Fonseca