Com o livro Por onde anda meu pai?, Yago José Eloy aposta na leitura como porta de entrada para oportunidades na primeira infância. Alumni RenovaBR, ele alia sua trajetória acadêmica e cultural ao trabalho em políticas públicas para fortalecer vínculos familiares e garantir às crianças o direito de ler e sonhar.
“A promoção da leitura precisa ser um compromisso das famílias e também dos poderes públicos”, afirma. Sua experiência múltipla como professor, pesquisador e gestor cultural reflete um compromisso com a educação inclusiva e com a construção de uma sociedade mais justa desde a primeira infância.
Primeira infância e representatividade na literatura
Em 2024, ele lançou seu livro, inspirado em sua dissertação de mestrado em Relações Étnico-Raciais. A obra surgiu da constatação de que menos de 4% da literatura infantil negra publicada no Brasil entre 2000 e 2021 abordava a paternidade negra como tema central.
O livro amplia o acesso das crianças a histórias que fortalecem vínculos afetivos e desafiam padrões. Na visão do autor, a ausência de homens exercendo o papel de cuidado com as crianças está relacionada à uma cultura que atribui essa função exclusivamente às mulheres e isso pode, por vezes, contribuir para o cenário de abandono parental. “Somado a isso, no caso dos homens negros, as ausências paternas também estão profundamente relacionadas ao racismo estrutural, que historicamente silencia as paternidades presentes e enfatiza apenas as ausências”, complementa.
Nesse contexto, Yago explica que o livro surge com dois propósitos. Primeiro, mapear e dar visibilidade às presenças paternas de homens negros e reconhecer aqueles que desempenham um bom papel junto de seus filhos em um cenário marcado pelo abandono. Além disso, a história é uma oportunidade para que pais e filhos se sintam representados e se emocionem com a narrativa.
Literatura, paternidade e futuro
Yago defende que a leitura seja estimulada em casa, mas também apoiada pelo poder público.“O maior incentivo que uma criança pode ter é o exemplo dentro de casa. Mas estados e municípios também precisam investir em programas de leitura, bibliotecas e encontros com escritores”, afirma.
Na Casa de Cultura de Itaguaí, na região da Costa Verde do Rio de Janeiro, onde atua como gestor cultural, ele organiza saraus literários e outras atividades que aproximam crianças do universo dos livros. Na Biblioteca Machado de Assis, uma das práticas desenvolvidas é a de saraus literários, que são realizados mensalmente com escritores locais convidados.
“No caso das crianças negras, considero fundamental que elas tenham acesso a literaturas antirracistas, escritas por autores negros. As literaturas negro-afetivas, conceito defendido pela escritora Sônia Rosa, são verdadeiras pontes para a construção de uma sociedade mais inclusiva e menos racista” complementa Yago.