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Sâmila Monteiro e a representatividade feminina e negra no Sul 

30.06.2025
Alumni

Chefe de Gabinete na Câmara Municipal de Porto Alegre, Sâmila Monteiro é um dos nomes que representam os novos perfis na política brasileira. Ex-vereadora suplente e liderança no movimento LOLA Brasil (Ladies of Liberty Alliance), Sâmila têm uma trajetória de compromisso com a transformação social que atravessa desafios e conquistas. Natural do Rio Grande (RS), a jovem liderança se destaca por sua atuação em prol da representatividade das mulheres na sociedade. 

Ativista liberal e Alumni RenovaBR, ela entrou na política em 2020 como candidata, quando era somente uma estudante de Direito procurando por mudanças concretas na sociedade. Naquele ano, elegeu-se vereadora suplente e durante seu mandato, aprovou dois projetos de grande relevância: uma lei para garantir acesso claro e atualizado às informações sobre regularizações e o projeto “Aqui Tem Luz”, que surgiu com a concessão de energia elétrica na cidade, garantindo iluminação em áreas em processo de regularização. Posteriormente, a liderança candidatou-se como deputada federal nas eleições de 2022. 

Atualmente, Sâmila é chefe de gabinete, atuando com mudanças na ponta todos os dias. “É estar na ponta e também atuar alinhando a comunicação, vendo métricas, buscando resultados, além de estar sempre conectado com o dia a dia das pessoas”, explica. A liderança conta que a partir dos problemas reais da população, que chegam diariamente na porta do gabinete, os trâmites e leis acabam sofrendo transformações e sendo modernizadas.

Representatividade na política

Para ela, os obstáculos na política são diários desde o dia um, seja pela falta de recursos disponíveis para realizar campanhas eleitorais, como também desafios relacionados ao seu perfil: uma mulher de direita, negra, cristã e da periferia.

“A melhor forma que tenho encontrado, como mulher negra periférica, para conquistar o meu espaço na política é com o meu trabalho, fé, alegria em servir as pessoas e com um pouco de autoestima. Requer autoestima para entender que tenho o direito de estar nesse espaço”, conta Sâmila. 

A liderança busca por representatividade e acredita que o parlamento tem que ser um equilíbrio da sociedade em vários aspectos e que as mulheres negras são importantes na conjuntura de mudança. 

“Eu quero ver muitas mulheres negras atuando no parlamento, mas com a força que as mulheres negras tem, de tocar em temas polêmicos e de não ter medo da rejeição. Desde cedo na minha jornada política eu tenho sido rejeitada por vários grupos e acho que a nossa coragem existe porque tivemos que lidar com muita rejeição ao longo da história”, pontua. 

Liderança no LOLA Brasil no Rio Grande do Sul 

Em 2023, ela retomou as atividades do LOLA Brasil no Rio Grande do Sul, com o intuito de ampliar o movimento de mulheres liberais na região. A  instituição está presente no Brasil desde 2018 e tem como objetivo desenvolver novos líderes que agreguem na defesa da liberdade econômica, política e civil. 

“Eu queria me conectar com outras mulheres também, donas de casa, mulheres mais maduras e eu vi no LOLA essa oportunidade de falar de liberdade mas de uma liberdade do cotidiano, que é intelectual, mas que também é social. Um projeto que vai na ponta e lida com diferentes versões das mulheres: a cabeleireira, empresária, economista e dona de casa”, comenta Sâmila. 

O núcleo gaúcho esteve presente no Fórum da Liberdade – o maior da América Latina – servindo como voz para outras mulheres que, até então, não conheciam o LOLA e o movimento de liberdade. 

Sâmila explica que a atuação no LOLA Rio Grande do Sul vai da captação de recursos às operações e auxílio ao LOLA Brasil. Ela compartilha que uma das atuações mais emblemáticas do núcleo foi a coordenação de um grupo de brasileiras e venezuelanas no apoio à soltura de Maria Oropeza, uma liderança do LOLA Portuguesa que foi presa ilegalmente pelo regime de Nicolás Maduro na Venezuela, em 2024. Através dos núcleos do LOLA Brasil, foi protocolada uma denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos exigindo a soltura de Maria. 

“É o LOLA que me permite fazer esse tipo de coisa, que me dá o respaldo para falar e lutar pela liberdade das mulheres. Nós ganhamos aquela ação, mas por se tratar de uma ditadura, Maria continua presa. Acredito que seja um grande exemplo do nosso potencial em fortalecer as mulheres na política”, pontua. 

Foto: Divulgação

Política e olhar para o futuro 

Sâmila pontua que a política não se trata apenas de vivência e intuição, mas de dados, evidências e ciência. Segundo ela, sua formação no RenovaBR a ajudou a compreender que é necessário robustez técnica e esperança para transformar realidades. 

“Acho que mais do que coragem e do que ser aguerrida, resiliência é a palavra que eu gostaria de lembrar para motivar as mulheres na política. Vão ter dias bons, mas existem dias difíceis na política. Os resultados não acontecem necessariamente quando queremos, mas precisamos continuar insistindo nos nossos valores”, finaliza.

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