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Presidente do Confea, Vinícius Marchese defende protagonismo técnico na política pública

08.07.2025
Alumni

Com uma trajetória que combina a precisão da engenharia à articulação na gestão pública, Vinícius Marchese, atual presidente do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia), defende que o conhecimento técnico pode ser uma peça-chave para transformar a gestão pública no país. Alumni RenovaBR, Marchese aposta no protagonismo de profissionais técnicos na formulação de políticas públicas de impacto real, baseadas em evidências. 

Engenheiro de telecomunicações, Marchese é de Mogi-Guaçu (SP), e sua atuação é, desde cedo, focada na inovação, comunicação e desenvolvimento sustentável, marca de sua gestão à frente do Crea-SP. Em 2022, concluiu a formação política pelo RenovaBR e ocupa o cargo de suplente de deputado federal pelo Estado de São Paulo. Desde então, une seu conhecimento técnico e político nos espaços de liderança. 

A Engenharia como aliada da boa gestão pública

“Sempre enxerguei a política como uma ferramenta para resolver problemas reais. Minha trajetória começou a partir de uma inquietação; primeiro como estudante, depois como profissional da área tecnológica. Durante a graduação em Engenharia, percebia o distanciamento entre os conselhos profissionais e os jovens que estavam ingressando na carreira. Essa percepção virou motivação. Fui atrás de entender o Sistema, conheci entidades de classe, participei da criação do Crea-SP Jovem e, desde então, nunca mais deixei de atuar por mudanças”, conta Marchese. 

Logo percebeu que só a atuação institucional não era suficiente para a mudança e tomou partido para disputar os espaços onde as políticas públicas são formuladas, buscando reforçar sua participação na política partidária. “A presença de profissionais técnicos na política é urgente. Nosso papel é fundamental na elaboração de soluções sustentáveis, eficientes e responsáveis. E só haverá mudança real quando deixarmos de ser apenas observadores e passarmos a ser protagonistas”, comenta. 

Segundo Vinícius, sua graduação lhe ensinou a solucionar problemas, mas a política partidária ampliou seu olhar para o impacto das políticas nacionais, propostas de agendas técnicas e o entendimento dos mecanismos legislativos. Para ele, tal combinação lhe proporciona uma visão mais completa de como transformar problemas complexos em estratégias transversais aplicáveis nas cidades brasileiras. 

Formação técnica e política

Para o atual presidente do Confea, os aprendizados sobre política fazem parte do seu dia a dia, para ouvir múltiplos interesses e criar consensos. “Como suplente e articulação ativa em diversos municípios de São Paulo, entendo a importância da representatividade, da corresponsabilidade e do diálogo técnico-político. Na presidência do Confea, aplico essas lições para garantir decisões colegiadas, políticas embasadas por dados, e uma ampla participação dos profissionais registrados”, explica a liderança. 

A pesquisa do Confea, conduzida com a Quaest, revela que 95% dos profissionais de Engenharia acreditam que suas atividades contribuem para um Brasil melhor — isso, segundo Marchese, enriquece o debate técnico nas esferas decisórias. Para ele, é essencial propor projetos políticos que surjam de uma base técnica sólida e que sejam ajudados por evidências.

Na prática, desde que assumiu o Confea, Vinícius pontua estar expandindo o debate. Isto é, os Conselhos passaram a integrar o debate público e fomentar a participação profissional na construção de políticas públicas, passando por inovação, tecnologia e desenvolvimento regional. 

“Acredito muito que inovação e tecnologia só fazem sentido quando geram impacto direto na vida das pessoas e no desenvolvimento das cidades, por isso precisamos fazer parte das discussões sobre o nosso futuro, seja nas profissões ou nos nossos municípios. Para isso, lançamos algumas iniciativas, como o Confea Open Day, que foi o primeiro hackathon do Sistema e buscou justamente fomentar projetos inovadores dentro e fora da autarquia. Também trabalhamos na realização de Trilhas de Inovação com equipes de todos os Creas para discutir cidades inteligentes, transformação digital e o papel da Engenharia nesse contexto, entre outras ações”, explica Marchese. 

Desafios da infraestrutura 

Na sua visão, o Brasil tem desafios a enfrentar quanto à modernização de sua infraestrutura e regulação. Em um país tão diverso, o contexto muda de uma cidade para outra, de bairro a bairro. Mas, para Marchese, essa é uma janela para uma participação ativa, tanto de profissionais técnicos, quanto da própria sociedade. 

 “Não há meio de construir um país sem Engenharia. Não existe futuro para a economia sem a atuação de engenheiros, agrônomos e geocientistas no Brasil. Sem esses profissionais, o país para. Então temos em mãos um outro desafio, que é o de atrair jovens para a área tecnológica”, afirma. 

Ele sinaliza que a área já lida com efeitos da baixa procura por esses cursos e o resultado se dá em projetos engavetados. Uma pesquisa do Confea, publicada em maio deste ano, mostra que este é um mercado aquecido que demanda profissionais qualificados – dos 48 mil entrevistados, 92% estão em atuação. Porém, especialistas apontam para um déficit de profissionais na área, por isso, segundo Marchese, articulações entre o Sistema do Confea e o poder público são necessárias. 

A liderança reforça que o envolvimento das pessoas no debate político deve ser cada vez mais estimulado para que haja mudanças na forma de lidar com as demandas públicas. “Para além do conhecimento sobre a pauta legislativa e as medidas do Executivo, a população deve cobrar seus representantes para que as leis correspondam às reais necessidades dos municípios”.

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