Algumas trajetórias na política começam cedo, como é o caso de Rochelle Gutierrez, vereadora de Uberaba (MG) e liderança RenovaBR. A vontade de fazer parte da vida pública se deu aos 13 anos, através do projeto de vereador estudante. Desde então, esse interesse se transformou em propósito e vocação.
Professora, ela está em seu segundo mandato como vereadora e tem uma atuação marcada pela escuta ativa, compromisso com a educação e defesa dos direitos das mulheres e da infância. Rochelle é também uma das poucas mulheres a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de sua cidade em mais de dois séculos de história.
Mandato voltado para mulheres e crianças
Rochelle já soma mais de 30 projetos aprovados, entre eles a Lei do Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica, a criação da Procuradoria da Mulher e iniciativas voltadas à saúde materna e aos direitos dentro do Legislativo.
Com o propósito de carregar para o mandato as experiências que vive dentro e fora da política, ela optou, durante sua gestação, por realizar o pré-natal pelo serviço público, a fim de compreender a realidade enfrentada pelas mulheres da cidade. A vivência se transformou em pauta e reforçou seu compromisso com políticas públicas mais eficazes.
Além disso, entre as conquistas que mais a orgulham, está a política de dignidade menstrual nas escolas. “Hoje todas as alunas da rede municipal de Uberaba recebem absorventes nas escolas”, destaca. Para ela, garantir condições básicas é também garantir permanência e dignidade.
Já voltando para a infância, a liderança ainda encabeçou a iniciativa do “Dia do Brincar”, que leva atividades para as praças públicas da cidade . “A gente vê as crianças ocupando praças, brincando com seus próprios brinquedos e assim defendemos uma infância de brincadeira, de ludicidade e de saúde”, explica. O projeto, segundo ela, tem tirado as crianças das telas.
Maternidade e política
Mãe da Lara e do Raul, Rochelle conta que conciliar a vida política com a maternidade têm sido um desafio. Ela foi a primeira vereadora de Uberaba que tirou licença-maternidade – um marco que evidencia os desafios estruturais do parlamento para com a participação das mulheres. Desta forma, o suplente assumiu o cargo.
“Foi bem desafiador conciliar a vida política com a maternidade”, afirma. Ainda durante a gestação, precisou enfrentar entraves institucionais para garantir direitos básicos. A vivência, segundo ela, mudou sua forma de enxergar o mandato: “a maternidade me fez olhar a política de uma forma diferente”.
Em um contexto em que a representatividade feminina nas câmaras municipais ainda é um desafio, sua presença carrega significado. Em mais de 200 anos de história, Uberaba teve apenas dez mulheres ocupando a vereança. Hoje, são quatro entre 21 cadeiras.
Rochelle tem clareza do papel que ocupa e o que representa. Mais ainda, reforça que entende que o caminho precisa estar mais aberto. “Penso muito na minha atividade política com esse objetivo. Estar ali para abrir espaço para que outras mulheres e meninas possam querer ocupar”, pontua.
Para ela, estar na política exige, ao mesmo tempo, firmeza e propósito. “Estamos sempre em vigilância, sempre tendo que se impor”, comentou. Ainda assim, segue movida pelo objetivo de construir uma sociedade melhor para as mulheres e mais acolhedora.