Professora da educação infantil em Campo Magro (PR) e engajada na promoção da participação feminina na política e na defesa dos direitos das crianças, Felícia Bertoldi acredita que a educação infantil têm papel crucial nos primeiros anos de vida das crianças.
“Realmente eu vivo a sala de aula com a primeira infância todos os dias. É muito rico perceber o desenvolvimento das crianças de um mês para outro, às vezes de uma semana para outra, e como a educação infantil proporciona o desenvolvimento das habilidades das crianças”, conta.
A Alumni RenovaBR explica que cada ação na sala de aula tem propósito educativo e impacto direto na vida das crianças, por isso, sua preocupação é que a educação da primeira infância seja vista como educação e não simplesmente como cuidar delas. “Cuidamos enquanto ensinamos e ensinamos enquanto cuidamos. Todo cuidado que temos é embasado em objetivos, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular“, explica.
Por que a primeira infância é decisiva?
Pesquisas mostram que os primeiros anos de vida são determinantes para a construção de capacidades cognitivas, emocionais e sociais, que influenciam toda a trajetória escolar e adulta. Felícia observa isso diariamente em sua sala de aula: pequenas descobertas e avanços, semana a semana, transformam-se em habilidades fundamentais para o futuro das crianças. Segundo ela, uma educação infantil de qualidade é essencial para que os direitos da criança sejam respeitados desde cedo, prevenindo desigualdades e fortalecendo a cidadania.
“Quando você abre uma discussão respeitando os direitos das crianças, você já está dando um grande passo. Precisamos enxergar a criança não só como vulnerável, mas como ser humano que merece respeito e dignidade”, afirma a professora.
Cuidado com propósito
Para que a educação infantil seja de qualidade, não basta apenas abrir vagas ou construir prédios. Felícia reforça a importância de suporte contínuo aos profissionais: “Não basta construir o prédio ou abrir creches, é preciso dar suporte aos profissionais. Se eles não têm material, estrutura adequada e acompanhamento pedagógico, a educação de qualidade não acontece.”
Ela explica que, sem apoio, os coordenadores pedagógicos não conseguem acompanhar o planejamento das aulas, e os professores acabam sobrecarregados com tarefas que comprometem o cuidado e o ensino efetivo. Esse cenário evidencia a necessidade de políticas públicas que priorizem formação continuada e valorização do trabalho dos educadores.
O papel das mulheres na educação e na comunidade
Felícia também destaca o engajamento das mulheres como fator central na educação infantil: “Percebemos que a maior parte das pessoas que se envolvem na educação dos filhos são mulheres. Elas são as principais usuárias do sistema de educação, observam o que está bom ou ruim e vão atrás dos direitos das crianças.”
Sua militância inclui atuação no movimento Vote Nelas, que incentiva a participação feminina na política. Ela acredita que a presença das mulheres em espaços de decisão fortalece a defesa de políticas públicas para crianças e famílias, promovendo mudanças que reverberam diretamente na comunidade.
Para ela, cada decisão no âmbito público deve levar em conta as necessidades reais das crianças e garantir que a primeira infância seja respeitada como etapa essencial para o desenvolvimento humano.
“Devemos trazer primeiro as crianças que não têm o que comer, cujos pais estão desempregados, sem água encanada ou rede de esgoto. Depois, sim, podemos atender as outras, garantindo que o sistema funcione de forma justa”, finaliza Felicia.