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Da periferia à liderança social: como Carlos Jorge está transformando Alagoas com educação e inovação

29.07.2025
Alumni

Transformar realidades por meio da educação e do desenvolvimento social sempre foi mais do que uma ideia para Carlos, Alumni RBR e fundador da Rede Mundaú Mundo. Nascido e criado na comunidade Vergel do Lago, em Maceió (AL), ele viu de perto os impactos da vulnerabilidade social e por isso, enxerga na educação uma maneira de mudar esse cenário. 

“Um dia eu disse que aquele bairro seria um dos mais inovadores e empreendedores de Alagoas. Dez anos depois, após inúmeros desafios superados, eu consegui entregar essa visão”, conta. Tal entrega surgiu a partir de um projeto social que, ganhando força com o tempo, através de reconhecimentos e prêmios, tornou-se uma ONG (Organização Não Governamental) com atuação em frentes diversas, tais como educação, tecnologia, geração de renda e desenvolvimento de lideranças comunitárias. 

Educação como base para reduzir desigualdades

Com mais de 20 mil pessoas impactadas diretamente em Maceió e em outros 15 municípios alagoanos, a Rede Mundaú Mundo nasceu da história pessoal de Carlos e de seu desejo de transformar Vergel do Lago. Em meio à um território marcado por vulnerabilidades, tais como o abuso sexual, violência doméstica e alcoolismo, o alumni enxergava um potencial de inovação e oportunidades. O que começou como um pequeno projeto comunitário, se tornou uma organização referência no combate às desigualdades sociais em Alagoas.

Com o objetivo de promover o desenvolvimento humano e social por meio da educação, geração de renda e fortalecimento das comunidades, a ONG trabalha implementando tecnologias, oferecendo capacitações profissionais e incentivando o empreendedorismo para estimular a criação de projetos educacionais voltados para crianças, jovens e adultos. 

O impacto é expressivo. Dentre os programas oferecidos está o Cozinha Escola, baseado na inclusão produtiva, que capacita para o mercado de trabalho e incentiva negócios sociais. Além disso, há também parcerias estratégicas com organizações como a Gerando Falcões e formação de lideranças comunitárias, capazes de se articular para reivindicar direitos e promover transformações locais. 

Um dos pilares mais fortes da atuação é a educação, considerada por Carlos como a ferramenta mais poderosa para transformar realidades. “A educação empodera, dá força, dá pensamento crítico. Muitas vezes, comunidades vulnerabilizadas são enganadas justamente pela falta dela”, afirma. Segundo ele, é essencial que a educação seja prioridade em uma democracia.

Além disso, a Rede é reconhecida pela defesa dos direitos humanos, trabalho que já rendeu a Carlos prêmios estaduais e nacionais. “Esses reconhecimentos validam um trabalho que é exaustivo e muitas vezes invisível. Eles abrem portas e dão escala ao impacto”, explica. 

O trabalho de Carlos já rendeu prêmios importantes, como o Prêmio de Direitos Humanos de Alagoas e o título de Líder Social VOA (Ambev), além de convites para compartilhar sua experiência em diferentes estados. “Esses reconhecimentos abrem portas e validam um trabalho que é exaustivo. Eles ajudam a dar escala ao impacto”, explica.

Do terceiro setor à gestão pública

A trajetória de Carlos também inclui experiência na gestão pública como secretário municipal de Assistência Social e Habitação. Para ele, o aprendizado foi determinante.

“A gestão pública exige competência técnica e habilidade política. Entendi como a máquina pública pode dar escala a políticas sociais, algo que complementa o trabalho do terceiro setor”, avalia.

Desafios na inovação e expansão

Dentre os desafios do setor,  Carlos destaca a integração da educação às políticas públicas nos territórios mais vulneráveis. Para ele, esse avanço depende do empoderamento da sociedade civil e da valorização dos saberes locais. “A base também tem muitas soluções. Precisamos fortalecer competências técnicas sem ignorar o conhecimento que vem da comunidade. E, acima de tudo, investir em educação política, uma das grandes falhas da nossa democracia”, afirma.

Com resultados já consolidados, a Rede Mundaú Mundo tem mais planos “Queremos chegar aos 102 municípios de Alagoas, ampliar programas de educação, geração de renda e negócios sociais. Nosso sonho é fazer de Alagoas o estado mais inovador e empreendedor do Brasil”, projeta.

Para os próximos anos, Carlos se vê formando novas lideranças. “Quero preparar pessoas para atuar no território, seja no terceiro setor, seja na gestão pública, desde que tenham vocação e competência. É assim que vamos mudar a realidade”, conclui.

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