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Consciência Negra: O olhar sobre as desigualdades e a luta por um Brasil mais justo

14.11.2024
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No Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é essencial refletir sobre o que significa ser um país diverso e como transformar essa diversidade em um instrumento de igualdade. No Brasil, a maioria da população é composta por pessoas negras, mulheres e outros grupos historicamente marginalizados, mas essa composição ainda não se reflete de forma justa nos índices sociais, nas oportunidades ou nos espaços de poder.

A temática foi explorada na formação Eleições 2024 do RenovaBR, com os professores Clara Marinho e Helton Souto. A formação contou com 2.103 novos alunos e acolheu 96 alumni.

A busca por uma sociedade justa e com representatividade

A pesquisadora na área de direitos humanos e professora do RenovaBR,  Clara Marinho, relata que o Brasil enfrenta um enorme desafio em promover uma sociedade justa e igualitária. Lembra que o país tem um dos piores índices de distribuição de renda do mundo, sendo comparável à Índia, marcada pelo sistema de castas, e à África do Sul, que enfrentou o apartheid. “O Brasil frequentemente figura entre os países com a pior distribuição de renda ao lado desses dois, e, além disso, possui uma enorme dificuldade em mobilidade intergeracional. Isso significa que é muito difícil para uma pessoa nascida pobre ascender para outra classe social ao longo da vida”, frisa Clara Marinho.

Ela também destaca como nossas diferenças se tornam desigualdades, afetando principalmente mulheres e jovens negros. “O Brasil tira a vida de um jovem negro a cada 28 minutos. Essas taxas se aproximam muito das registradas em zonas de guerra, o que exige a implementação de políticas públicas efetivas por parte de toda a sociedade brasileira”, defende Clara. Para ela, é preciso ir além das palavras e garantir a igualdade substantiva, que considera as particularidades e necessidades específicas da população.

Representatividade nos espaços de poder 

Embora a maioria da população brasileira seja composta por pessoas negras, essa realidade ainda não se reflete nos espaços de poder. Segundo a deputada federal e alumni do RenovaBR, Gisela Simona, “a população brasileira, em sua grande maioria, é formada por pessoas pretas e pardas, mas no parlamento somos apenas 24% do total de representantes. Estar ali já significa um grande avanço no sentido de mostrar para a comunidade negra de maneira geral que é possível buscar esse espaço de representatividade e lutar por pautas afirmativas, de políticas afirmativas, de inclusão, de menor discriminação.”

Durante o Encontro Regional da formação Eleições 2024, que aconteceu em Brasília, a deputada reforçou que essa representatividade é essencial para que o povo negro não se visualize como uma minoria, mas, sim, perceba que o Brasil também pertence a eles. 

“Tudo isso é muito importante para a sociedade, para que o povo negro na verdade não se visualize como uma minoria, mas que ele possa realmente sentir na pele que é o Brasil, é nosso, e nós precisamos estar representados nesse espaço de poder tão importante”, concluiu. 

A necessidade de olhar para a história

Helton Souto, professor do RenovaBR e representante do Instituto da Cor, ressalta a importância de entender as raízes históricas do racismo estrutural no Brasil. “O país é menos branco do que a forma como está estruturado. É menos branco do que a maneira como as oportunidades são distribuídas na sociedade brasileira — oportunidades essas que são construídas, desfavorecidas e, muitas vezes, canalizadas para uma minoria da população, em detrimento da maioria.” Para ele, é necessário que a sociedade brasileira reconheça as sequelas deixadas por mais de 300 anos de escravidão e trabalhe para mudar essa realidade.

Souto também afirma que a luta por equidade racial não é uma questão ideológica, mas lógica. “Se temos dados que mostram que a maioria da população é negra e que essa maioria é a mais vulnerável, então as políticas públicas precisam atender a essa necessidade. Caso contrário, não cumprem seu papel.”

A Constituição Federal estabelece como um dos objetivos do país a construção de uma sociedade justa e solidária, que promova o bem de todos, sem preconceitos de origem, cor, sexo ou qualquer outra forma de discriminação. A luta pela igualdade substantiva é, portanto, uma obrigação coletiva e um compromisso de todos para que o Brasil possa, de fato, se reconhecer como um país verdadeiramente diverso e inclusivo. “Diversidade e inclusão encontram respaldo em nosso arcabouço constitucional. Não adianta apenas garantir o direito no papel. É preciso considerar as características e as necessidades específicas da população”, conclui Clara Marinho.

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