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Alumni RenovaBR, Barbara Barros fala sobre sua experiência na COP30

27.11.2025
Alumni

No último sábado (22), a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2025 (COP30) chegou ao fim. Ao longo de duas semanas, atuando na delegação oficial, como palestrante e representando iniciativas da sociedade civil, Bárbara Barros, servidora da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro e Alumni RenovaBR, acompanhou as negociações em Belém, articulando diálogos e ampliando sua presença em espaços estratégicos da diplomacia climática. 

Ela conta que, vista de fora, a ONU parece um ambiente “performático”, onde decisões importantes não chegam a se concretizar. Mas acompanhar de perto a dinâmica das negociações a fez perceber outra realidade: “A diplomacia tem seu tempo. É lenta, mas as coisas acontecem”, afirma. Essa visão ampliada, diz ela, ajudou a compreender como se constroem consensos globais — e por que a incidência técnica e política nesses espaços faz diferença.

A cidade como ponto de partida para entender a crise climática

Os debates sobre adaptação climática e resiliência urbana tocaram em uma experiência pessoal que moldou a trajetória de Bárbara. Ela conta que passou anos se deslocando entre Bangu, o centro do Rio e Seropédica, somando até seis horas diárias em transporte público. Foi ali, no cotidiano, que começou a questionar por que o acesso à cidade é tão desigual — e por que serviços básicos não respondem ao clima cada vez mais extremo.

Ela lembra que o Rio é um território onde “40 graus na sombra” não é força de expressão, e onde a falta de arborização, drenagem e mobilidade adequada afeta a saúde física e emocional da população. “É uma ansiedade climática real”, resume. Hoje, na Casa Civil, ela atua na Subsecretaria de Políticas Inclusivas, garantindo que projetos voltados a crianças e adolescentes dialoguem com esse olhar para cidades mais humanas e preparadas para o futuro.

Apesar de avanços importantes, Barbara reforça que a COP ainda é um espaço majoritariamente branco, masculino e distante da diversidade brasileira. “Enquanto mulher jovem negra, estar ali é crucial”, afirma. Ela destaca o aumento da presença de juventudes e mulheres negras na COP30 — e celebra conquistas simbólicas e políticas desse movimento

Diversidade, representatividade e presença jovem na COP30

Entre os aprendizados que pretende levar para as políticas públicas estaduais, Bárbara destaca a participação social — especialmente de jovens — em espaços de decisão. Ela cita como exemplo o POICC, espaço internacional de juventudes na COP, que este ano teve presidência brasileira. “A gente não está falando de construir o futuro; estamos falando de fazer no agora”, afirma.

A defesa de cidades sustentáveis também passa por medidas concretas, como expansão de transporte de massa, eletrificação de frotas e políticas como a tarifa zero, que, segundo ela, já tem estudos de viabilidade e custo relativamente baixo para os municípios. “Basta vontade política”, resume.

Encontros que mudam caminhos

Os dias intensos na Amazônia também deixaram marcas pessoais. Para Bárbara, vivenciar o território — os rios, as comunidades, a floresta — foi uma experiência que “saiu dos livros”. No campo das articulações, o contato com representantes de mais de 30 países e a construção de pontes com lideranças globais reforçaram seu compromisso em seguir atuando no clima.

Ela destaca momentos marcantes: conversar com a enviada especial Neymar Radji, participar de uma bilateral com a ministra das Mulheres ao lado de jovens de vários países e acompanhar de perto a atuação de referências como Marina Silva e Genebra Verrnek. “Há dois anos eu olhava para isso de longe e dizia: ‘quero estar ali’. E de repente eu estava numa sala com a ministra, construindo proximidade”, conclui. 

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