A agenda ambiental brasileira tem sido atravessada por diferentes perspectivas e atores. No centro dessa convergência está a busca por maior eficiência na entrega de resultados, que passa, necessariamente, pela capacidade de articulação entre diferentes setores.
Alumni RenovaBR, Adalberto Maluf exemplifica como a eficiência no setor público passa por diferentes camadas. Atual Secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, construiu sua carreira na agenda de sustentabilidade e clima, com passagens por organismos internacionais, setor privado e gestão pública. Bacharel e mestre em Relações Internacionais pela USP e filiado ao PV, foi diretor da BYD e da Fundação Clinton (em parceria com o C40), além de atuar na Prefeitura de São Paulo.
Sua carreira atravessa diferentes setores, mas ele conta que, desde o início, seu foco esteve na conexão entre o global e o local. “Sempre tentando aproximar as boas práticas internacionais da realidade da política pública local”, conta.
Integração como caminho para eficiência
Esse percurso multissetorial – de organizações internacionais, setor privado e público – moldou sua visão sobre eficiência: não como um conceito isolado, mas como resultado de integração. “Buscar eficiência na gestão pública implica no uso de indicadores, dados e evidências para criar política pública”, afirma.
Mais do que isso, ele destaca a importância de estruturar ferramentas que permitam não apenas a formulação, mas também o monitoramento e a implementação dessas políticas. É nesse ponto que entra um dos pilares de sua atuação: a construção de arranjos de governança mais amplos, que articulem diferentes níveis e setores.
Segundo ele, políticas públicas mais eficazes dependem de uma “equação de co responsabilidade entre os diferentes atores”.
Isso significa envolver União, estados, municípios, sociedade civil e setor privado na construção e execução das soluções. Um exemplo concreto dessa abordagem é o programa Cidades Verdes Resilientes, criado no âmbito do Ministério do Meio Ambiente.
A iniciativa busca integrar diferentes agendas e oferecer suporte direto aos municípios, com foco em ações como arborização urbana, gestão de áreas verdes, soluções baseadas na natureza, mobilidade sustentável e economia circular. Na prática, isso se traduz em capacitação, assistência técnica e desenvolvimento de projetos estruturados — incluindo a criação de um banco de projetos para facilitar o acesso a financiamento e acelerar a implementação.
Ao comentar as prioridades da agenda ambiental recente, Maluf destaca avanços que combinam articulação institucional e impacto direto. Entre eles, a redução do desmatamento, a criação de programas voltados à bioeconomia e o fortalecimento de políticas urbanas. Ele cita, por exemplo, o lançamento do Plano Nacional de Arborização e a construção do Cadastro Ambiental Urbano, que deve permitir maior precisão e eficiência na gestão municipal.
Na área de resíduos e economia circular, os avanços passam tanto por regulação quanto por inclusão produtiva. Maluf menciona o fortalecimento de cooperativas de reciclagem, com investimentos significativos e melhoria de indicadores. “A reciclagem oficial do Brasil saiu de 3,5% para mais de 9%”, aponta, destacando também o papel das políticas de logística reversa e rastreabilidade.
Há ainda iniciativas voltadas à gestão de recursos hídricos, agricultura urbana e controle de poluentes, todas com um elemento em comum: a tentativa de integrar agendas que historicamente caminharam de forma separada. Essa lógica de conexão — entre setores, níveis de governo e diferentes áreas de conhecimento — aparece como fio condutor de sua atuação.