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Eficiência na gestão pública: o papel da articulação e da escuta nas políticas públicas 

30.04.2026
Alumni

Para um cidadão comum, a eficiência do setor público pode ser algo nebuloso de definir, por vezes, associado somente à boa gestão de recursos ou ao cumprimento de metas. No entanto, na prática, esse conceito ganha diferentes significados. A eficiência se revela, também, na capacidade de articular diferentes atores, tomar decisões qualificadas e gerar impacto concreto na vida das pessoas. 

Edilaine Daniel, Alumni RenovaBR e Chefe de serviço na Secretaria Estadual da Justiça e da Cidadania de São Paulo, é um exemplo disso. Professora de formação, iniciou sua carreira no ensino público, mas logo percebeu que poderia ir além da sala de aula. 

“Ainda jovem, vi que poderia fazer mais do que ensinar, poderia acolher e ajudar a estruturar famílias”, conta. Essa mudança de rota a levou para a gestão pública, onde atua há mais de duas décadas. 

Moradora da periferia de São Paulo, Edilaine tem como base para sua atuação a escuta e vivência cotidiana das comunidades. Ao longo dos anos, identificou um desafio central: o desconhecimento que muitas famílias têm sobre seus direitos e, principalmente, como acessá-los. 

“Cidadania não é um conceito abstrato”, afirma. “Ela se concretiza quando uma mulher encontra proteção, quando um jovem acessa qualificação profissional, quando uma família recebe orientação, acesso a direitos, políticas públicas, atendimento e dignidade”, pontua. 

Ponte entre o poder público e a população

Essa visão ganha forma em seu trabalho no CIC Oeste (Centro de Integração da Cidadania), onde atua há mais de duas décadas como diretora. O espaço reúne, em um único lugar, serviços públicos, orientação, qualificação profissional e ações de cidadania, funcionando como uma ponte entre o poder público e a população. Para além de concentrar atendimentos, o CIC procura fazer parte das demandas reais da comunidade para construir soluções que façam sentido no cotidiano das pessoas. 

Surge, no seu dia a dia profissional, uma pergunta central – como ampliar o alcance das políticas públicas mesmo diante de limitações orçamentárias? A resposta, segundo ela, está na articulação. Edilaine passou a conectar Estado, empresas e organizações da sociedade civil para viabilizar projetos e ampliar seu impacto. O foco passou a ser encurtar a distância entre boas ideias e sua execução. “Um dos principais desafios é sair do campo do discurso e entrar no campo da execução, sem permitir que a falta de orçamento ou investimento se torne motivo para paralisar boas iniciativas”, explica. 

Muitas vezes o que falta não são ideias, mas capacidade de planejamento, articulação e acompanhamento. Ela destaca ainda a importância de atravessar as burocracias sem abrir mão da responsabilidade técnica e jurídica. Em sua experiência, iniciativas que não dialogam com o território tendem a não se sustentar. Em outras palavras, eficiência também é sobre fazer sentido para quem está na ponta. 

Para ela, a escuta ativa é uma das chaves para o diagnóstico real e planejamento com metas claras. Isso é uma porta para parcerias sólidas comprometidas com resultados. Ela lembra que para o êxito de uma liderança pública é necessário sensibilidade social, mas também método, responsabilidade e, essencialmente, capacidade de construir pontes. 

“É preciso entregar com consistência, continuidade e impacto mensurável, atendendo às necessidades reais da população, promovendo o desenvolvimento do território, atuando em sintonia com os ODS, práticas ESG e responsabilidade social das empresas”, explica. 

Articulação e diálogo

“Não se faz política pública de qualidade de forma isolada, dentro de uma sala com ar-condicionado e cafézinho, sem diálogo com quem vive os problemas no dia a dia”, afirma. Ouvir mulheres, jovens, idosos, lideranças comunitárias, organizações sociais e profissionais da ponta, além de contar com a contribuição responsável do setor privado, é o que permite decisões mais qualificadas e políticas mais efetivas. 

Essa lógica de articulação, segundo ela, potencializa resultados ao combinar diferentes capacidades: o dever institucional do Estado, os recursos e a estrutura do setor privado e o conhecimento concreto da comunidade sobre suas próprias necessidades. É nessa convergência que as políticas ganham escala, legitimidade e impacto. 

Essa visão da articulação se concedeu em iniciativas voltadas, sobretudo, à proteção de mulheres, crianças e famílias em situação de vulnerabilidade. “Hoje, direciono grande parte dos meus projetos para mulheres e crianças porque são públicos que vivem, muitas vezes, as formas mais duras de violação de direitos”, explica. Sua atuação também é atravessada por uma experiência pessoal – a Alumni perdeu sua irmã para a violência e transformou seu luto em luta. 

Dentre os diversos projetos que lidera ou articula, ela destaca o Asas da Liberdade, realizado em parceria com companhias aéreas. A iniciativa viabiliza o deslocamento de mulheres sobre risco. Como ela pontua, muitas vezes a mulher precisa sair de sua cidade para proteção e para romper o ciclo de violência de maneira segura. 

Em convergência com essa temática, um outro exemplo é o Mulher Segura, desenvolvido em parceria com redes hoteleiras. O projeto oferece hospedagem temporária para mulheres que aguardam vaga em abrigos sigilosos. “A violência não espera burocracia. Quando não há vaga imediata, essa mulher não pode voltar para casa. O hotel parceiro garante acolhimento digno e seguro nesse intervalo crítico”, explica.

Para Edilaine, essas e outras entregas só são possíveis através da construção de parcerias sólidas com o setor privado, por exemplo. Segundo ela, o impacto é concreto e imediato. Além disso, ela destaca que essas parcerias também fortalecem o compromisso das empresas com a responsabilidade social e práticas ESG. “O setor privado tem um papel fundamental na construção de soluções. Quando ele entende isso, deixa de ser apenas financiador e passa a ser agente ativo de transformação”, pontua.

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