Em meio aos preparativos para sediar a COP30, os municípios têm voltado seus olhares, cada vez mais, para os desafios urgentes que as mudanças climáticas trazem para o dia a dia das comunidades. Dentro dessa agenda, a Jornada Sustentabilidade 2025, iniciativa da Comunidade Alumni RenovaBR, desenvolveu um Grupo de Trabalho (GT) com lideranças formadas pela organização, que tem se consolidado como um espaço de análise e construção coletiva de alternativas frente aos problemas climáticos, conectando diferentes regiões do país em torno de um tema central para a qualidade de vida da população: o saneamento básico.
No mês de agosto, o GT realizou seu segundo encontro marcado por uma exercício inédito dentro da proposta, na qual os Alumni RenovaBR saíram a campo em suas respectivas cidades, na intenção de diagnosticar os problemas públicos enfrentados.
Divididos em grupos, eles compartilharam as dores mapeadas, a partir dos eixos condutores do Marco Legal de Saneamento Básico: abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos.
O segundo encontro: pesquisa de campo como ponto de virada
Em formato de “pitch reverso” – invertendo a lógica tradicional dos espaços de decisão e começando pelos problemas reais do território, para depois chegar às soluções – as lideranças trouxeram relatos das evidências observadas em suas regiões para os demais colegas do grupo.
Mas, apesar das diferenças regionais, os diagnósticos que surgiram a partir dos casos apresentados durante o pitch reverso, mostraram obstáculos em comum e persistentes, seja na falta de acesso regular à água; sistemas precários de esgotamento sanitário que comprometem a saúde da população; e lacunas na drenagem urbana, tornando enchentes mais recorrentes. Para além de apresentarem seus casos, identificados a partir das visitas nos territórios, as lideranças votaram, coletivamente, quais deles serão levados adiante para os próximos passos do GT, sendo um caso para cada eixo.
Mais do que levantar problemas, a prática mostrou o valor do aprendizado coletivo. Ainda que de diferentes regiões, muitos dos desafios se repetem, evidenciando a necessidade de soluções estruturais e articuladas.
Alumni RenovaBR, Andreia Souza conta que o exercício lhe mostrou o valor de ouvir as propostas de soluções vindas da própria comunidade. “Mesmo usando palavras simples, muitas vezes, o denominador comum é o mesmo que a academia defende”, explica.
Para realizar o exercício, ela buscou ouvir tanto os saberes acadêmicos, quanto às vozes dos mais velhos de Ponta Negra (RN), que guardam na memória como a região responde às mudanças da natureza e intervenções humanas, do crescimento demográfico desordenado à obra de engorda da praia. “Saí da orla e fui para os bairros periféricos, onde muitas famílias ainda aguardam o básico: o acesso ao esgoto. Vi crianças caminhando entre águas servidas, ouvi relatos de doenças de pele e percebi como até o alimento que consumimos pode estar contaminado sem que percebamos. Ali entendi que saneamento não é apenas infraestrutura, mas saúde, dignidade e futuro”, compartilhou.
Ao final, destacou que aprendeu no RenovaBR que política de impacto se constrói assim: com dados, com evidências, mas, sobretudo, com pessoas.
O papel do GT na Jornada de Sustentabilidade
O Grupo de Trabalho integra a Jornada como um espaço de aprofundamento prático, no qual os Alumni RenovaBR analisam problemas públicos, compartilham experiências e constroem soluções coletivas.
Guiada pelo olhar do ciclo de políticas públicas – da identificação do problema à formulação de alternativas – a proposta contou, no primeiro encontro, com uma aula ministrada por Leonardo Secchi, professor de políticas públicas e administração pública. Esse referencial, inspirado na metodologia de Secchi, orienta e fortalece a capacidade das lideranças de transformar diagnósticos locais em propostas viáveis. “A primeira aula trouxe insights importantes para análise e prática das políticas públicas”, pontuou a Alumni Áurea Galdino de Lima, no início dos encontros do GT.
Os encontros são permeados pelos pilares do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº nº 14.026/2020), e servem como referência para a análise dos contextos locais e para a construção de soluções voltadas à adaptação climática e à melhoria da qualidade de vida nos municípios.
O GT de Sustentabilidade seguirá avançando em sua jornada, elaborando, nos próximos encontros, uma árvore de problemas para mapear causas, consequências e atores, analisando políticas públicas existentes e identificando lacunas e boas práticas. O trabalho será sistematizado em propostas e recomendações concretas ao poder público e sociedade, transformando a escuta em ação, conectando dados, experiências e a colaboração entre diferentes territórios para preparar os municípios para um futuro mais sustentável, reunidos em um relatório final. Mais do que uma sequência de atividades, o GT promove um espaço para que as lideranças formadas pelo RenovaBR possam se conectar em torno de um mesmo tema. O último encontro será presencial e proporcionará uma missão técnica de um local referência em boas práticas.



