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Primeira infância e cidadania: a trajetória de Adriana Lobo à frente do Instituto Iji

29.08.2025
Alumni

“Como vou criar meus filhos em uma cidade como São Paulo?”. Essa foi a pergunta que Adriana Lobo, diretora executiva do Instituto Iji (Instituto Jardins da Infância) se fez anos atrás, quando a ideia do projeto Jardins da Infância começou a surgir. 

Atualmente à frente de uma organização que promove a gestão de projetos e programas que transformam a vida dos jovens através da inovação, tecnologia, educação, empreendedorismo, cultura, arte, ciência e esporte, Adriana transformou sua experiência pessoal e profissional em ações concretas que impactam positivamente a vida das crianças e da comunidade. 

A Alumni RenovaBR demonstra, ao longo de sua trajetória, que o cuidado com a primeira infância e juventude vai além do âmbito familiar, mas toca em esferas de políticas públicas, urbanismo e cidadania. Sua dedicação para o tema começou ao ter contato com espaços urbanos planejados para crianças, quando viajava fora do país. Desde então, observando a experiência de seus filhos em seu próprio bairro, Adriana trouxe a inspiração de fora para mapear e identificar lacunas nos espaços de convívio infantil que existiam ao seu redor. Nasceu dessa iniciativa, o projeto Jardins da Infância, que alia educação, cultura e mobilidade urbana com a experiência prática da primeira infância. 

O impacto do Jardins da Infância

“Em um quadrilátero de 10 ruas e prédios, levantei 14 mil crianças que moravam no bairro e que eu não via nas ruas e praças. Além de 21 mil crianças que se somavam quando eu incluía aquelas que vinham para o bairro eventualmente. Com o mapa pronto, comecei a criar uma rede de apoio e convívio com outras mães, desenvolvendo um plano para que as crianças pudessem andar e brincar com segurança nas praças e ruas”, explica Adriana. 

O Jardins da Infância se consolidou como um projeto inovador que conecta famílias, poder público e sociedade civil em torno da criação de territórios mais acolhedores para as crianças. A iniciativa valoriza os espaços públicos como praças e ruas, ressignificando-os como locais de convivência, aprendizagem e cidadania ativa. Segundo Adriana, o cuidado com essa fase da vida só é possível se envolver atores intersetoriais e secretarias municipais.  “Gosto de pensar que pude ajudar, junto com outras mães e pais, formando um coletivo de pessoas engajadas em trabalhar pela melhoria daquele território”, pontua. 

Entre os desafios enfrentados por mães e famílias, Adriana destaca a falta de segurança, o tempo excessivo em trânsito, a ausência de creches de qualidade e a necessidade de espaços públicos mais acolhedores. Para ela, projetos que atuam diretamente no território, como praças, escolas e centros culturais, podem transformar a realidade de milhares de crianças, oferecendo oportunidades de brincar, aprender e se desenvolver em um ambiente seguro e estimulante. O Instituto Iji (Instituto Juventude Inovação) busca envolver o poder público e a sociedade civil para que essas ações tenham impacto real e duradouro.

“A articulação junto ao poder público é complexa e burocrática. Ainda assim, o Instituto está sempre se reinventando e buscando novos colaboradores, explica. Sua atuação fortalece a presença de mulheres na liderança e inspira novas gerações a perceberem o potencial transformador da política e da cidadania ativa em ações como o projeto  “Jardins da Cidade”, que estimula a mobilidade e cidadania; “Não seja mais uma vítima”, que trabalha a prevenção à violência nas escolas públicas e o projeto “Como um corpo biológico se transforma num ser social”, que atua em cima da saúde mental na primeira infância. 

Reconhecida com o Selo de Direitos Humanos e Cidadania em 2022 e 2023, Adriana exemplifica como a dedicação à primeira infância e o engajamento comunitário podem gerar resultados concretos, impactando vidas e fortalecendo políticas públicas.

Foto: Folha de São Paulo / Jorge Araújo

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