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Primeira infância e o futuro das cidades: a atuação de Juliana Guedes em Mogi das Cruzes

28.08.2025
Alumni

Alumni RenovaBR, Juliana Guedes compartilha o compromisso constante com a educação e defesa da primeira infância como direito fundamental. Com experiências de gestão em Mogi das Cruzes (SP) e Recife (PE), ela busca estruturar políticas públicas voltadas às crianças nos primeiros anos de vida. Hoje, atua para fortalecer uma agenda intersetorial que reconhece a infância como prioridade para o futuro do país. 

Sua trajetória sempre foi na educação, começando como professora de português e inglês na rede estadual e em escolas particulares, até ingressar na Prefeitura de Mogi das Cruzes, onde atuou como secretária de Educação, de 2017 à 2020. Foi em 2021, quando teve a oportunidade de ingressar na gestão pedagógica como secretária executiva, em Recife, que entrou em contato, pela primeira vez, com a estruturação de uma política pública voltada para a primeira infância, inspiração que trouxe de volta ao município paulista.

Primeira infância como direito fundamental 

Garantir direitos na infância exige planejamento, e para Juliana, o poder público ainda está em processo de descoberta da importância dessa fase da vida na forma de pensar a política. “A criança deve ser amparada de maneira intersetorial. Ou seja, saúde, assistência social, planejamento urbano, meio ambiente, todas as áreas precisam dialogar em prol da primeira infância”, pontua. 

Para a especialista, a primeira infância deve ser reconhecida como um direito fundamental, tal qual expressa a constituição. Dentro desse recorte, os primeiros três anos de vida, chamados de “primeiríssima infância”, são especialmente delicados, pois representam a etapa de maior vulnerabilidade e dependência da criança.

Coordenadoria especial e plano municipal pela primeira infância

Em sua trajetória dedicada à educação, Juliana transformou o sonho de fortalecer a primeira infância em política pública. Hoje, em Mogi das Cruzes, ela integra a coordenadoria especial ligada ao gabinete da prefeita, com o objetivo de articular de forma intersetorial as ações voltadas às crianças. “Guardei comigo o sonho de falar sobre a primeira infância e agora conseguimos estruturar essa coordenadoria para fomentar políticas públicas de forma integrada”, afirma.

Ela ressalta que o primeiro passo de implementação foi sensibilizar os servidores públicos. De acordo com ela, qualquer pessoa da prefeitura consegue responder o que é a primeira infância e a importância de cuidar desse período. 

Outro marco foi a construção do Plano Municipal pela Primeira Infância, que já passou pela Câmara e deve ser sancionado nos próximos dias. O tema também foi incorporado ao Plano Plurianual (PPA) e à Lei Orçamentária Anual (LOA), assegurando recursos para transformar as propostas em realidade. “Não adianta ter papel sem garantir ação”, ressalta Juliana.

As políticas contam ainda com o apoio do terceiro setor, que na visão da especialista, é essencial. Mogi firmou parcerias com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e a Urban95, que ajudam a adaptar experiências de sucesso de outras cidades para a realidade local. Entre as iniciativas em curso estão o programa Pé de Infância, já presente em mais de 70 creches da cidade, e a campanha de comunicação com o personagem Nelson, o Nenê, que aproxima a população da pauta de forma lúdica e educativa. “Na consulta pública do nosso plano, a primeira infância foi uma das pautas mais mencionadas pela população. Isso mostra que o tema está reverberando na sociedade”, comemora Juliana.

Quando a primeira infância ocupa o centro da agenda pública

Para Juliana, garantir o direito à infância significa olhar para além dos indicadores imediatos e construir bases sólidas desde os primeiros anos de vida. Ela faz uma analogia do período com a base de uma casa, argumentando que, sem creches e escolas de qualidade, toda a estrutura futura da educação pode exigir reformas custosas. É nesse ponto que a atuação municipal se torna decisiva, pois é nas cidades que a criança vive, aprende e se desenvolve.

O futuro, como reforça a Alumni, exige inovação e coragem para superar o comodismo. Municípios preparados, com equipes capacitadas e visão integrada, podem transformar a infância em prioridade real, prevenindo desigualdades e garantindo um desenvolvimento mais justo para toda a sociedade. A experiência de Juliana mostra que quando a primeira infância ocupa o centro da agenda pública, os resultados deixam de ser promessas e passam a ser legados.

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