Em um ano decisivo para quem deseja ingressar ou avançar na política brasileira, o RenovaBR se prepara para receber novos alunos na Formação Líderes 2025, programa que se consolida como um ponto de partida para futuras lideranças comprometidas com a prática da boa política e a preservação dos valores democráticos.
À frente da iniciativa está Marjorie Lynn, mestre em ciência política e Diretora de Educação do RenovaBR, que explica porque a formação é o “coração do programa” e quais os diferenciais desta edição, que fazem dela um marco na preparação de lideranças para as próximas eleições.
Em entrevista, Marjorie destaca a importância da formação, os bastidores da construção do conteúdo e a inspiração que vem do contato com os alunos que desejam transformar o Brasil — cada um a partir de sua realidade.

Há quanto tempo você faz parte do time e como você definiria o seu papel no RenovaBR? Eu entrei logo depois das eleições de 2022, há dois anos e meio, e acho que o meu papel no RenovaBR é de entender e organizar a concretude dos principais produtos e entregas que nós temos como organização da sociedade civil.
Junto com o time de Educação, penso nas formações e o que as lideranças precisam desenvolver na sua trajetória política. E, agora, também com o time de Comunidade, tenho um papel de interseccionar a parte educacional com a rede de relacionamento, que é de extrema importância para políticos – diria que é uma das coisas que os alunos mais esperam da formação.
Durante o evento de lançamento da Seleção RenovaBR, você mencionou que a Formação Líderes 2025 é o “coração do programa”. Qual a importância do curso para quem quer participar efetivamente da política? A formação é o coração do programa porque o RenovaBR é uma escola de democracia, né? É o grande primeiro passo. É por conta da formação que os alunos ingressam e é a partir dela que nós semeamos um sentimento de rede – um sentimento de que nossos alunos não estão sozinhos e que tem muita gente no Brasil que pensa de uma forma similar no quesito de fazer a boa política, mesmo pensando diferente ideologicamente.
O curso é o lugar onde as pessoas vão saber por onde começar e conhecer quem pode ajudá-los no processo de início da trajetória política. Mas, também, não é apenas para quem está começando. É importante dizer que um bom político é aquele que nunca se dá por satisfeito e deve ter uma formação continuada, sempre buscando conhecer e ouvir mais para se adaptar aos desafios do Brasil.
Como o time de Educação atua no processo de formação do programa? De maneira geral, nós pensamos em cada detalhe e o passo a passo que os alunos vão percorrer. Realizamos um ciclo – avaliamos a última formação realizada e a partir dela, pontuamos quais foram os temas que os alunos gostaram mais, avaliando feedbacks e realizando uma leitura do perfil dos alunos da próxima formação. Então, a partir disso, nós montamos um cronograma para visualizar todas as atividades que vão acontecer. Não pensamos somente nas aulas, mas nos temas, professores e também na parte prática. Ou seja, como vamos provocar a interação entre os alunos e professores tanto online, quanto no presencial. Nós também pensamos no que é mais interessante e estratégico para os alunos exercitarem para a campanha, no caso de agora, para 2026.
Qual o maior diferencial do programa de Formação Líderes 2025? O maior diferencial da formação, comparando com versões anteriores, é a personalização. Nesse ciclo, nós entendemos que alunos com trajetórias diferentes precisam de formações e um nível de assistência diferenciadas. Cada aluno está em um percurso na trajetória política e existem formas diferentes de lidar com esses públicos. Então, acho que essa é a principal diferença desse ano.
Quem está na parte inicial da trajetória vai ter um acompanhamento mais de perto com o monitor. Já as lideranças que, ou já estão em cargos públicos, ou que almejam cargos ainda maiores, vão ter um nível de assistência diferente com as mentorias. E temos também o grupo daqueles que já estão em cargos políticos de grande visibilidade nacional – pessoas que precisam de menos conteúdo teórico e mais ajuda pontual em suas dificuldades específicas da prática política, visando tanto a reeleição, quanto a ascensão em novos cargos.
O que mais te inspira no contato com os alunos do RenovaBR? O que mais me inspira é que toda vez que eu encontro um aluno, lhe abraço e converso com ele, é perceber que é possível ter esperança, sabe? Às vezes nós ficamos imersos no planejamento, mas quando chega no momento de abrir a sala de aula e iniciar uma nova turma, as coisas tomam outra forma.
Nós percebemos que tem muita gente que já promove coisas incríveis Brasil afora e que essas pessoas acreditam que há um jeito de fazer boa política. Ou seja, existe um caminho para defender pautas sem abrir mão de valores, como integridade, ética, diversidade, e no RenovaBR as pessoas encontram esse caminho.
Quando temos esse contato com os alunos, eu sinto esperança de que vamos ter lideranças competentes, que se baseiam em dados e evidências, possuem pensamento crítico e que sabem se posicionar para, um dia, tomarem decisões que vão afetar milhares de cidadãos pelo país.
Nesse sentido, pode contar um aprendizado inesperado que teve desde que entrou no RenovaBR? Aconteceu em 2024, ao final do período de uma turma das eleições municipais. Estávamos em um contexto de encerramento do curso e alguns alunos estavam com entregas atrasadas. Então, eu e o Jun Tanikawa – também do time de Educação – abrimos uma sala online, todos os dias durante à noite, para conversar com os alunos que estivessem com dificuldades. Esse momento foi importante para perceber que estávamos lidando com pessoas de realidades muito diferentes.
Um dos alunos abriu o microfone e se apresentou. Era um quilombola de um quilombo no interior do estado da Bahia e que começou a ser perseguido quando declarou sua pré-candidatura a vereador. Era um aluno que estava correndo risco para entrar na política e defender os interesses do quilombo onde morava.
Conto essa história pra mostrar que, às vezes, nós não temos a noção das vivências dos alunos e as pessoas que querem entrar na política estão lidando com questões para além da formação e o nosso objetivo não é ser um fardo, mas um apoio e um lugar em que eles possam encontrar braços abertos para falar sobre suas dificuldades. O RenovaBR é um lugar em que eles vão encontrar pessoas que podem aconselhá-los politicamente e no restante da vida. Esse caso e outros mostraram que estamos lidando com os sonhos das pessoas e esses sonhos partem de realidades diferentes. Então precisamos estar sempre atentos ao contexto social e econômico dos alunos também.
Para finalizar, o que mais te empolga nessa nova edição do programa? Ah, nessa nova edição me empolga bastante a gente vir com algumas novidades, como essa da personalização e também fico empolgada com os três encontros presenciais que teremos.
Nos encontros presenciais nós vamos conseguir promover maior interação entre os alunos, porque sabemos que o online tem limitações. Então, estou bem feliz de conseguirmos ter essa constância de encontros no segundo semestre.
Além disso, fico empolgada com a programação de uma semana de formação que será bem focada nas eleições. O objetivo é dar aquele gás final para que os alunos possam ter uma pré-campanha e campanha alinhadas com o seu propósito e com uma estratégia bem desenhada, alinhando mente e coração. Eu acho que nesse ciclo 2026 temos conseguido nos planejar para tocar em ambos os temas. Além de desenhar um mapa de estratégia para entender como captar financiamento e viabilizar a candidatura. Então, é um pouco do racional e emocional amarrados nesta edição.